Reconhecimento facial: O rosto como nova identidade

A pandemia da covid-19 acelerou a transformação digital e o uso de novas tecnologias. Produtos e serviços que antes pareciam invenções futurísticas se tornaram cada vez mais presentes nas corporações e no dia a dia das pessoas. Uma pesquisa da Kantar Ibope Media mostrou que 56% dos brasileiros acreditam que a crise os ajudou a adotar melhor a tecnologia em sua rotina.

Já um estudo da consultoria International Data Corporation apontou que 63% das empresas brasileiras passaram a usar modelo de trabalho dinâmico e reconfigurável, o que inclui o home office, incrementando os serviços online. Estes serviços vão dos mais simples, como compras ou reuniões online, aos mais avançados, como a tecnologia contactless (sem contato físico) e o reconhecimento facial.

Até pouco tempo, o reconhecimento facial estava presente apenas em filmes de ficção científica, como o Minority Report – A nova lei, de Steven Spielberg. A realidade superou a fantasia e já é utilizado em diferentes áreas, seja para facilitar rotinas de trabalho ou para garantir a segurança em operações negociais e transações financeiras.

Criada nos anos 1960, a  tecnologia que usa computadores e algoritmos para reconhecer rostos humanos ganhou escala há pelo menos uma década, muito graças ao avanço das redes sociais e da internet. Com milhares de pessoas disponibilizando voluntariamente suas fotos na internet, existe hoje um banco de dados com bilhões de imagens que servem para treinar redes de  inteligência artificial a detectar e reconhecer rostos.

Aproximadamente 100 países ao redor do mundo já usam o reconhecimento facial em algum tipo de vigilância pública. No carnaval deste ano, por exemplo, em Salvador câmeras de segurança identificaram e ajudaram a capturar 42 foragidos da Justiça.

Com o reconhecimento facial, diversos serviços podem ser realizados de maneira remota. A tecnologia é possível por meio do mapeamento das características do rosto de cada pessoa, como a distância entre os olhos e o tamanho do nariz. A extração dos chamados pontos nodais forma uma assinatura facial. Como estas características costumam ser únicas em cada pessoa, o sistema de reconhecimento é praticamente sem falhas.

O uso do reconhecimento facial como identidade, substituindo documentos, é um caminho sem retorno. Em alguns países isso já é realidade. Outros, estão adotando medidas para implantar o sistema. Cingapura, por exemplo, que já utiliza o reconhecimento facial, recentemente assinou um acordo com o Reino Unido para ajudar o país a criar seu próprio sistema de identificação.

Já a França pretende se tornar o primeiro país europeu a usar a tecnologia como uma identidade digital. O país quer oferecer à população acesso a documentos, desde impostos e contas bancárias até a previdência social, por meio da tecnologia de reconhecimento facial.

Não precisamos ir tão longe. Em Cuiabá essa evolução digital já é possível para os cartórios, por exemplo. Um sistema desenvolvido no estado possibilita o reconhecimento de firmas, procurações e lavraturas de escrituras sem a necessidade da presença física da pessoa. À distância, documentos podem ser gerados de forma eletrônica e assinados digitalmente entre as partes e o tabelião.

O sistema denominado de Face Match funciona com a comparação da imagem capturada por meio de videoconferência com os dados biométricos do cliente registrados no cartório. O sistema também pode ser disponibilizado para outros segmentos além de cartórios, como para a áreas de segurança pública e privada.

*Louder Mendes é analista de Sistemas, especialista em Segurança da Informação e diretor executivo da On Line Engenharia de Sistemas

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