“Casas Cuiabanas” são reconhecidas pelo Senado em entrega da Comenda Zilda Arns

O procurador-geral de MT, José Antônio Borges, recebeu a comenda Zilda Arns, defendeu a proteção às crianças  e lamentou a ‘demonização das ONGs’

O procurador-geral de Justiça de Mato Grosso, José Antônio Borges, foi agraciado nesta terça-feira, 10, com a Comenda Zilda Arns, condecoração do Senado destinada a reconhecer indivíduos e organizações que se destacam na área da proteção à criança e ao adolescente. A indicação de Borges foi feita pelo senador Wellington Fagundes (PL-MT) que, em seu pronunciamento, destacou o trabalho do promotor pela viabilização, construção e funcionamento de casas lares em Cuiabá.

Conhecidas como “Casas Cuiabanas”, as casas lares acolhem crianças e adolescentes em situação de risco (ou seja: abandono, negligência, violência) e vulnerabilidade social.  Com uma filosofia moderna, as ‘Casas Cuiabanas’ começaram a ser implementadas em 2014, e apresentam uma nova abordagem aos antigos abrigos das crianças, ofertando atendimento humanizado e individualizado. 

Segundo o senador Fagundes, esse projeto “mudou o cenário da proteção infanto-juvenil” em Cuiabá. Hoje, já são sete casas lares em funcionamento. “Uma experiência que vai ganhando notoriedade nacional e que deve ser consignada a outras capitais e cidades brasileiras” – ele frisou.

Em seu pronunciamento, o senador mato-grossense disse o Brasil ainda precisa avançar muito em ações e, sobretudo, na conscientização que cerca os interesses da primeira infância. Ele citou dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância, que fala das desigualdades e mostra que o país ostenta o maior número absoluto de adolescentes assassinados no mundo. “Sem dúvida, uma das mais trágicas violações de direitos que afetam meninos e meninas no Brasil. A cada dia, segundo a UNICEF, 31 crianças e adolescentes são assassinados no País, quase todos meninos, negros, moradores de favelas” – lamentou.

Em uma solenidade altamente concorrida, com a presença inclusive do tenista Gustavo Kuerten, cuja mãe, Alice, foi uma das homenageadas, Borges destacou o trabalho que vem sendo desenvolvido na Capital e em defesa do Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA, e lamentou o que chamou de ‘demonização das ONGs’ perante a opinião pública. Para ele, o reconhecimento é importante para que seja positivada a imagem de organizações que desenvolvem trabalhos de extrema importância social.

“Esse país não está pior do que poderia estar graças à sociedade civil organizada. Então, essa homenagem não é para mim. Essa homenagem é principalmente para o terceiro setor, que sempre foi companheiro do Ministério Público” — afirmou.

Além do procurador-geral de Justiça, receberam a comenda Alice Thümel Kuerten, Associação de Diabetes Infantil, Casa Azul Felipe Augusto, Catedral de Nossa Senhora da Conceição de Campina Grande, Divaldo Pereira Franco, Evanguelia Kotzias Atherino dos Santos, Hospital Pequeno Príncipe, Miguel Antônio Orlandi, Núcleo de Amparo ao Menor e Tânia Mara Garib.   

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