Cuiabá desponta como exemplo de clube-empresa e mira Série A em 2021: ‘Nossa meta’

Clube do Mato Grosso é uma empresa desde a sua fundação, em 2001, mas alavancou depois da entrada de uma família do ramo de borrachas

A Copa do Brasil coloca o Botafogo diante do modelo que ele pretende alcançar. Enquanto o alvinegro faz contas e traça metas para viabilizar a migração do futebol para S/A, o Cuiabá colhe frutos da gestão empresarial. Hoje, a bola rola no Nilton Santos às 21h30, pelo jogo de ida das oitavas de final.

O time do Mato Grosso já nasceu como empresa e, como é terceiro colocado da Série B do Brasileiro, vislumbra o acesso. A história do clube remete a um ídolo do Flamengo: Luís Carlos Tóffoli, o Gaúcho, morto em 2016, que abriu uma escolinha de futebol no Mato Grosso em 2001 e foi quem fundou o Cuiabá Esporte Clube. O sucesso com o ex-jogador, entretanto, não veio.

O rumo começou a mudar a partir de 2009, com o investimento da família Dresch, que administra uma multinacional do ramo de borrachas, com origem em Santa Catarina, mas que montou base no Mato Grosso. O negócio prosperou e o futebol foi uma via para dar visibilidade.

O clube é presidido por Alessandro Dresch, sobrinho de Aron Dresch, que desde 2017 preside a Federação Mato-Grossense de Futebol.

— Éramos patrocinadores desde 2003 e o compramos em 2009 porque viramos torcedores. Viemos do ramo empresarial e, como o Cuiabá sempre foi um clube-empresa, foi mais fácil para administrá-lo. O modelo sem fins lucrativos no Brasil é complicado porque a gestão tem apenas três anos para fazer o trabalho. Achamos pouco — diz Cristiano Dresch, vice-presidente do clube.

Em 2019, o Cuiabá teve receita líquida de R$ 21,3 milhões e superávit de R$ 1,7 milhão. Adversário de hoje, o Botafogo registrou receita líquida de R$ 191 milhões, mas com um déficit de R$ 20,8 milhões — a distância para fechar no zero foi quase a receita toda do Cuiabá.

O desafio dos cariocas é conseguir receitas para migrar para o modelo empresa. O Botafogo até tentou captar recursos com torcedores apaixonados, mas não se aproximou da meta, na casa de R$ 230 milhões, para viabilizar o aporte inicial na S/A. A ideia agora é buscar capital estrangeiro.

Cuiabá Foto: Divulgação/Cuiabá
Cuiabá Foto: Divulgação/Cuiabá

Com o investimento e estrutura, o Cuiabá desponta como referência na região. Até por isso, foi campeão da Copa Verde, título que o levou direto às oitavas de final da Copa do Brasil.

— Temos um projeto de consolidar como o clube que representa o Mato Grosso e a região. Não temos representante do vizinho Mato Grosso do Sul na Série C. A meta é tentar o acesso à Série A. O Cuiabá, em nove anos, teve dois acessos e o domínio do Estadual — conta Cristiano.

Desfalques em série

O clube usa a Arena Pantanal como casa, amenizando um pouco o papel de “elefante branco” do estádio feito para a Copa de 2014. Mas mobilizar multidões é um desafio. O Cuiabá teve a oitava melhor média de público da Série B 2019: 3.787 pagantes/jogo. Mas acumulou o quinto pior desempenho de receita em jogos: prejuízo médio de R$ 9,98 mil.

Antes da Arena, o clube mandava jogos no Dutrinha, com capacidade para 4.500 pessoas. Com um estádio melhor, concentrou recursos para modernizar o CT e comprar um hotel que virou alojamento. Um CT para a base também está em construção.

Na pandemia, manteve a base sem redução salarial. Mas contra o Botafogo, há um problema: sete jogadores já estavam inscritos na Copa do Brasil em outros clubes e não estão à disposição do técnico Marcelo Chamusca. O Botafogo, por sua vez, não terá Gatito e Kalou, lesionados.

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