Itália isola cidades atingidas pelo coronavírus, e Irã anuncia que teve 12 mortos pela infecção

No Irã, há 12 mortos e 61 infectados; na Itália, são 7 mortes e 190 infectados –país europeu colocou cidades em quarentena e determinou, por decreto, que quem infringir as restrições à entrada e saída pode ser condenado a três meses de prisão.

Uma alta de novos casos de infecção pelo Covid-19, o coronavírus, em países como a Itália, a Coreia do Sul e o Irã nesta segunda-feira (24) aumentou o receio de que haja uma pandemia da doença.

O vírus infectou cerca de 77 mil pessoas e já matou mais de 2.500 na China, onde ele se originou no ano passado.

Na Itália, 7 mortes foram confirmadas, no Irã, 12, e na Coreia do Sul, 7 (veja mais abaixo).

A polícia faz pontos de controle em torno de 11 cidades do norte da Itália que estão em quarentena, em uma tentativa de controlar o vírus Covid-19.

Há 43 locais onde há restrições à entrada e saída, e quem infringir a proibição poderá enfrentar penas que chegam a três meses de prisão.

Itália registra três mortes pelo novo coronavírus e 150 casos da doença
Itália registra três mortes pelo novo coronavírus e 150 casos da doença

Até o domingo (23), a polícia só vigiava os acessos e informava os motoristas qual era a situação. Mas novos decretos foram impostos, e as entradas e saídas foram proibidas –e devem ficar assim por 14 dias.

Na Itália, 190 infectados

Ao menos 190 pessoas no norte da Itália foram diagnosticadas com o vírus, e sete morreram, incluindo uma mulher de 84 anos que faleceu na madrugada desta segunda (24) em Bergamo.

As autoridades ainda não conseguiram identificar a origem do contágio. Nesta segunda (23), a epidemia já atinge mais de seis regiões.

A Áustria fechou temporariamente o tráfego nas fronteiras com a Itália.

Outros países vizinhos, como Eslovênia e Croácia, que são destinos populares para turistas italianos, convocaram reuniões de emergência. Não há nenhum caso registrado nesses países.

As autoridades da Itália cancelaram jogos de futebol e fecharam escolas. Apresentações teatrais e até mesmo o carnaval de Veneza foram cancelados. Ao mesmo tempo, o governo tenta explicar que a taxa de mortalidade do vírus é relativamente baixa, se comparada com as gripes sazonais.

Em Veneza, turista usa uma máscara de carnaval e uma de proteção contra o coronavírus; o evento foi cancelado no país — Foto: Andrea Pattaro / AFP
Em Veneza, turista usa uma máscara de carnaval e uma de proteção contra o coronavírus; o evento foi cancelado no país — Foto: Andrea Pattaro / AFP

Ao menos seis das vítimas até agora eram idosos, e pelo menos dois deles já tinham outras doenças sérias.

Virologista em rede nacional

A virologista Ilaria Capua, da Universidade da Flórida, afirmou na TV pública italiana que o alto número de infecções no país se dá porque o governo está ativamente procurando os casos.

Mais de 3.000 pessoas passaram por testes, a maioria delas tiveram contato direto com os infectados.

“Provavelmente quanto mais procuramos, mais encontramos”, disse Capua. A maioria dos casos não deve exibir nem mesmo uma visita de um médico, e os números na Itália são parecidos com os de outros países europeus, ela afirmou.

A Itália, no entanto, isolou quase uma dúzia de cidades no norte do país onde foram identificados mais de cem casos.

Na segunda-feira (24), os policiais que trabalhavam nos pontos de controle usavam máscaras.

O primeiro caso foi identificado em Codogno, perto de Milão. O medo do coronavírus chegou a Milão, o centro financeiro do país.

Coronavírus foram batizados assim por causa das pequenas 'coroas' na superfície — Foto: Getty Images via BBC
Coronavírus foram batizados assim por causa das pequenas ‘coroas’ na superfície — Foto: Getty Images via BBC

Alguns dos eventos de moda da cidade também foram cancelados –as marcas Giorgio Armani e Laura Biagiotti fizeram suas apresentações com portas fechadas e transmissão ao vivo.

O vice-ministro de Saúde do país, Pier Paolo Silveri, disse que a Itália faz um apelo à consciência cívica dos cidadãos para observar as medidas de contenção que foram impostas pelas próximas duas semanas no norte do país.

Quatro novos mortos no Irã

Doze pessoas morreram e há 61 infectados com o Covid-19, o coronavírus, no Irã, afirmou nesta segunda-feira (23), Iraj Harirchi, o vice-ministro de Saúde do país.

É um aumento de quatro mortes em relação ao último boletim, que havia sido divulgado no domingo (23).

A maior parte dos casos de coronavírus foi identificada na cidade de Qom, uma localidade sagrada para os xiitas, que fica 120 quilômetros ao sul de Teerã.

Um parlamentar dessa região, Ahmad Amirabadi Farahani, disse que mais de 50 morreram na cidade nas duas últimas semanas por causa da infecção causada pelo coronavírus. Ele afirma que o governo demorou para fazer o anúncio da epidemia e que a cidade não tem equipamento adequado para lidar com a crise de saúde, segundo a agência Ilna.

Harirchi, o vice-ministro de Saúde, contestou os números do parlamentar e afirmou que se o número de mortes for um quarto de 50, ele pediria demissão.

Vírus pelo Oriente Médio

O Kuwait e o Bahrein, na segunda, registraram seus primeiros casos de coronavírus –todos eles de pessoas que foram ao Irã.

Os Emirados Árabes anunciaram dois novos casos no sábado (22), um casal de turistas iranianos.

No Líbano, houve o primeiro caso na sexta-feira (21): uma mulher que voltou de Qom, no Irã.

Alta súbita na Coreia do Sul

Na Coreia do Sul também houve um aumento súbito de casos notificados nesta segunda-feira (24). De uma vez só, foram anunciadas 231 infecções, o que elevou o total no país para 833. O número de mortes subiu de cinco para sete.

Mais de 140 dos novos casos no país foram na cidade de Daegu, de 2,5 milhões de habitantes, ou na sua região metropolitana.

Cinco das sete mortes no país aconteceram em um hospital de um município perto de Daegu –há um surto de infecções na ala psiquiátrica.

As autoridades afirmaram que esperam poder conter a epidemia na região isolando Daegu. Alguns especialistas, no entanto, disseram que o vírus já circula pelo país, e apontam para casos em Seul, a capital.

“Em Daegu, o número de novos casos confirmados por testes é alto, e se nós fracassarmos em efetivamente interromper as transmissões nessa área, há uma grande possibilidade de contágio de dimensão nacional”, disse o vice-ministro de Saúde, Kim Gang-lip.

A expectativa é estabilizar a situação em Daegu em quatro semanas.

O vice-ministro disse que o plano é testar todos os habitantes que apresentarem sintomas semelhantes aos da gripe. São cerca de 28 mil pessoas, segundo ele.

Casos em igreja cristã

Os funcionários de saúde também testam cerca de 9.000 seguidores da Igreja de Jesus de Shincheonji. Uma mulher de mais de 60 anos foi a duas cerimônias em um templo antes de ser diagnosticada com o vírus.

Pelo menos 129 casos positivos são ligados à igreja. Há a possibilidade de uma ligação entre esses infectados e os de um hospital.

O governo federal fechou escolas, cancelou eventos e pediu às empresas para manter trabalhadores em suas casas, se possível, especialmente se eles apresentarem sintomas como tosse ou problemas respiratórios.

Há conselhos para evitar locais fechados e pedidos para que aqueles que estiveram em Daegu fiquem em casa.

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