Japão oferece remédio de graça para testes contra covid-19; Brasil ainda não pediu

Ministério da Saúde diz que ainda não tem conhecimento sobre postura do governo diante de oferta do medicamento Avigan, que Japão considera eficaz contra coronavírus

O medicamento para gripe Avigan será disponibilizado gratuitamente aos países que o solicitarem para o tratamento do novo coronavírus, anunciou o governo japonês na sexta-feira, segundo notícia da agência “Nikkei Asian Review”

Valor Investe apurou junto ao Ministério da Saúde que o governo brasileiro ainda não tem conhecimento sobre se o Brasil já pediu para receber o medicamento, ou se considera fazê-lo.

Em sua conta no Twitter, o presidente Jair Bolsonaro afirmou hoje que vai zerar os impostos sobre zinco e vitamina D, usados, segundo ele, para o tratamento de infectados pelo novo coronavírus. Ele acrescentou que o governo federal já retirou tributos sobre a hidroxicloroquina e azitromicina.

O “Nikkei Asian Review” publicou que o secretário-chefe do governo japonês, Yoshihide Suga, afirmou em entrevista na última sexta-feira (3) que cerca de 30 países, incluindo Indonésia e Turquia, já buscaram a Avigan por canais diplomáticos, e que os Estados Unidos consideram fazê-lo. “Estamos fechando acordos para fornecê-lo de graça”, disse ele, segundo a agência.

Suga disse também que a medida vai ajudar a expandir a pesquisa clínica sobre o medicamento. Com 2.617 casos até sexta-feira, o Japão tem relativamente poucos dos mais de 1 milhão de infecções em todo o mundo, dificultando amplos ensaios clínicos.

A Indonésia encomendou 2 milhões de doses de Avigan, e planeja iniciar testes clínicos assim que a remessa chegar. O país viu os casos de coronavírus subirem para 1.986, depois de passar semanas sem confirmar infecções, e tem 181 mortes, à frente da Coreia do Sul e, na Ásia, atrás apenas da China.

O Japão também recebeu pedido da Turquia. O ministro da Saúde turco, Fahrettin Koca, se reuniu com Akio Miyajima, embaixador do Japão em Ancara, e perguntou sobre a aquisição da Avigan, disseram fontes diplomáticas à “Nikkei Asian Review”. A Turquia teve 20.921 casos confirmados e 425 mortes até sexta-feira, segundo o governo.

As discussões também começaram no governo Donald Trump, nos EUA, com a Casa Branca incentivando órgãos reguladores a permitir que o medicamento seja administrado como um possível tratamento para o coronavírus, informou o site “Politico”, citando autoridades e documentos internos.

Apesar das preocupações com os riscos da droga entre pesquisadores dos EUA, o entusiasmo aumentou depois que o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe explicou sobre Avigan ao presidente Trump, informou o “Politico”. A Casa Branca não comentou. Os EUA agora respondem por quase um quarto dos casos confirmados em todo o mundo.

A mídia alemã informou na quinta-feira que Berlim está considerando comprar grandes quantidades de Avigan, na esperança de armazenar milhões de embalagens. O medicamento será distribuído para hospitais universitários e outras instituições com a ajuda dos militares, informou o “Frankfurter Allgemeine Zeitung”.

O Avigan, desenvolvido por uma subsidiária da Fujifilm Holdings no Japão, foi considerado nos testes clínicos chineses como eficaz contra a covid-19. Abe anunciou planos para iniciar o processo de teste para que seja oficialmente aprovado como tratamento contra o coronavírus no Japão.

“Vamos acelerar o desenvolvimento de tratamentos e vacinas eficazes para aliviar as preocupações do público o mais rápido possível”, disse Abe aos legisladores na sexta-feira.

A Fujifilm anunciou esta semana que lançou testes clínicos para testar a eficácia contra o novo coronavírus e vai aumentar a produção. O governo japonês tem uma reserva estratégica de 2 milhões de doses.

Abe disse na sexta-feira que o Japão, os EUA e outros países iniciaram um teste conjunto internacional do remdesivir, um medicamento desenvolvido para combater o Ebola que também se mostrou promissor no tratamento do coronavírus. Os testes do setor privado devem começar este mês.

(Com conteúdo publicado originalmente no Valor PRO, o serviço de notícias em tempo real do Valor)

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