Junho vermelho: Especialista explica que um doador de sangue pode ajudar até quatro pessoas 

Apenas 1,4% da população brasileira é definida como doadora 

Quatorze a cada mil habitantes no Brasil são doadores de sangue no país, ou seja, apenas 1,4% da população, conforme dados do Ministério da Saúde. Para conscientizar sobre a importância da prática e ajudar a alavancar esse cenário é que junho é marcado como “Vermelho” no calendário de saúde. O intuito é ressaltar para as pessoas que o ato de doar pode salvar diversas vidas.

De acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES), a sede do Hemocentro em Cuiabá recebe mensalmente quase seis mil doadores. Um número que, segundo a médica hematologista do Complexo Hospitalar de Cuiabá, Paloma Borges dos Santos, pode muitas vezes não ser suficiente para atender a demanda necessária apresentada nas unidades de saúde. 

“Às vezes temos momentos em que o estoque está baixo e nisso a gente pode deixar de atender alguns pacientes, porque se eu tenho duas pessoas precisando, eu tenho que escolher aquele que precisa mais agudamente. E são decisões difíceis. Pois podemos comprometer a vida de alguém se não tiver aquele hemocomponente disponível”, pontua a especialista. 

Para doar sangue é rápido. São trinta minutos que podem ajudar a salvar muitas vidas. O tipo “O+” é considerado o mais comum, existindo em 36% da população brasileira, e, consequentemente, acaba também sendo bastante utilizado. Já o “O-“ existe em apenas 9% da população e é conhecido como doador universal, pois é possível utilizá-lo na falta de qualquer outro. 

Vale ressaltar ainda que um doador consegue ajudar até quatro pessoas de uma vez só, uma vez que uma bolsa de sangue contém componentes como hemácia, plaqueta, plasma e crioprecipitado. “E cada item desse vai para um paciente diferente. Pois os que precisam de doação, geralmente são pessoas com doenças crônicas, graves, de UTI, em quimioterapia, com hematológicas, sempre com doença oncológica”.

O Oncologista e diretor da clínica Oncolog, André Henrique Crepaldi, explica que é necessário esclarecer a população que o sangue não tem como ser produzido artificialmente. E por isso, em caso de situações de emergências, quando alguém chega no pronto atendimento de um hospital ou em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), precisa haver estoque para que seja liberado e utilizado. 

“Então nós precisamos de pessoas que doem antes, que façam esse ato voluntário de forma espontânea. Porque a doação não é remunerada e não pode ser remunerada, mas precisam doar pensando nisso, nas inúmeras pessoas que vão estar sendo auxiliadas no momento em que realmente mais precisam da ajuda para ter uma expectativa de vida”, ressalta. 

O médico detalha que para ser um doador é necessário ter mais de 16 anos e estar abaixo dos 60 anos, além de ter mais de 50 kg e estar com bom quadro de saúde. Além disso, no momento da doação, a pessoa vai passar por uma entrevista onde irá contar o histórico de saúde dela. “ Por exemplo, quem já teve câncer não pode contribuir”, afirma 

Benefícios aos doadores 

Em Mato Grosso os doadores regulares de sangue têm benefícios exclusivos, como a isenção na taxa de pagamento de concurso público promovidos pelo Governo do Estado, meia-entrada em locais de cultura, esporte e lazer (casa de shows, jogos e cinema, por exemplo). 

Além disso, realizam de graça uma série de exames como o teste para HIV, de Doença de Chagas, de Hepatite B e C, de HTLV 1 e 2, de Malária e Fator RH.

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