Número de casos de coronavírus no Brasil pode crescer até seis vezes em 18 dias, dizem pesquisadores

Previsão considera cenário em que país não adota medidas para isolamento de pessoas

Um grupo de pesquisas formado por diversos institutos e universidades estimou que, nos próximos 18 dias, o Brasil pode chegar a 60 mil casos de coronavírus, cerca de seis vezes mais do que registrou até agora (9.194 ocorrências).

Este cenário, segundo o Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde (Nois), é considerado o “pior caso”. Naquele classificado como “melhor caso”, o Brasil terá 25.164 casos de coronavírus no dia 20 de abril. O panorama considerado mais provável, porém, indica aproximadamente 41 mil ocorrências.

Segundo os pesquisadores, as medidas de isolamento são essenciais para evitar que o Brasil siga o caminho trilhado pelos EUA, que contabilizou 277 mil casos de coronavírus até a noite desta sexta-feira (4) e que é atualmente o país com maior número de contágios.

Até agora, porém, o cenário brasileiro não é tão catastrófico quanto o americano.

— Em nosso 40º dia de epidemia (20 de abril), prevemos 41 mil casos. A Itália, em seus primeiros 40 dias, tinha 115 mil. Nos EUA, com 38 dias de epidemia, já havia 240 mil registros confirmados — explica Silvio Hamacher, professor do Departamento de Engenharia Industrial da PUC-Rio e um dos autores do estudo. — A lição que esses dois países deram ao Brasil e ao resto do mundo é que a demora ou a não adoção de medidas de isolamento dos que podem ficar em casa teve graves consequências.

Para o estado de São Paulo, que é responsável por 44% dos casos, as projeções para o dia 20 de abril variam entre 11.154 e 26.777.

Rio de Janeiro, por sua vez, terá entre 3.156 e 7.576 novos registros, segundo a pesquisa. O estado poderá registrar um aumento de 351% de suas ocorrências em um cenário considerado “mediano” (nem otimista, nem pessimista).

— Os países com os melhores resultados na diminuição da taxa de crescimento foram aqueles que adotaram as medidas mais rigorosas o quanto antes: quarentena, testagem massiva, isolamento da população, fechamento de escolas e fronteiras e proibição de eventos. A implementação dessas medidas interferiu diretamente nos resultados — ressalta Hamacher.

O Nois é um grupo de pesquisa formado por profissionais de diversas instituições: Departamento de Engenharia Industrial e Instituto Tecgraf da PUC-Rio, Barcelona Institute for Global Health (Espanha), Divisão de Pneumologia do InCor, Hospital das Clínicas FMUSP, Universidade de São Paulo, Secretaria estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas e Fiocruz.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *