O PF tá salgado, com o perdão do trocadilho

Quem não ia ao supermercado há um tempo tomou um susto. Itens básicos da refeição do brasileiro (como arroz, feijão, cebola e óleo de soja) tiveram um aumento significativo nos preços. O arroz, em particular, se destacou como um dos alimentos com maior alta. Neste ano, segundo o IBGE, a inflação do grão já acumula uma alta de 19,2%.

Mas por que isso está acontecendo? Há quem se lembre do fantasma da hiperinflação dos anos 80 e 90 e acredite que é isso que está acontecendo agora. Mas esse não é o caso: a inflação, na verdade, está abaixo da meta, em 2,44%.

Se a inflação está baixa, por que a comida está alta? A primeira coisa é entender que o principal indicador da inflação é o Índice de Preços para o Consumidor Amplo (IPCA) – e o IPCA é composto por vários itens. Além de alimentação, são levados em conta, também, grupos como vestuário, educação e transportes.

Enquanto a inflação está em 2,44%, os alimentos para consumo em casa registraram alta de quase 11,4% nos últimos 12 meses. Existem dois principais fatores para isso:

1. A cotação do dólar. Na casa dos R$5,30 em setembro de 2020, o dólar alto faz com que diversos produtores optem por exportar, em vez de oferecer o item no mercado nacional – entre março e julho de 2020, houve um aumento de 260% de exportações. Isso reduz a oferta por aqui e aumenta os preços.

2. O aumento da demanda interna. Enquanto a oferta vem caindo, a demanda do brasileiro aumentou. O auxílio emergencial é um dos fatores: considerando que ele representa pouco mais que meio salário mínimo, o foco dos gastos foi justamente nos alimentos básicos – e o arroz e outros itens em alta são básicos na mesa do brasileiro. O período de quarentena, com mais pessoas (incluindo as crianças) em casa, foi outro fator importante.

Vai cair? Em uma entrevista, o diretor presidente da Associação Brasileira da Indústria do Arroz, Elton Doeler, disse que a tendência é que os preços não caiam tão cedo – mas também não aumentem. Segundo ele, o preço do pacote de 5kg deve se estabilizar entre R$25 e R$35.

Estímulo à importação. No dia 9 de setembro, a Câmara de Comércio Exterior decidiu zerar a alíquota do imposto de importação para o arroz em casca e beneficiado até 31 de dezembro. A intenção é deixar as importações mais baratas e aumentar a oferta no Brasil. A medida está restrita a 400 mil toneladas do alimento.

E os preços no geral, vão continuar altos? De acordo com o Instituto Brasileiro da Economia, se o valor do dólar continuar alto, a resposta é sim. A organização prevê, no total, um aumento entre 8,5% e 9% no preço dos alimentos este ano.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *