‘QUEM NOMEIA SOU EU’: Bolsonaro diz que Constituição prevê independência entre poderes e que vai insistir em Ramagem na PF

Presidente anunciou que vai insistir na nomeação de Ramagem para comando da PF

O presidente JairBolsonaro defendeu nesta quarta-feira a independência entre os Poderes, horas após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), barrar a nomeação de Alexandre Ramagem para a direção-geral da Polícia Federal (PF). Bolsonaro também indiciou que irá insistir na nomeação, mesmo após a Advocacia-Geral da União (AGU) ter anunciado que não irá recorrer da decisão de Moraes.

A declaração ocorreu na cerimônia de posse de André Mendonça no Ministério da Justiça e de José Levi Mello na AGU. O presidente do STF, Dias Toffoli, e o ministro Gilmar Mendes estavam presentes no evento. 

Bolsonaro leu o artigo da Constituição que diz que o Executivo, o Legislativo e o Judiciário são “independentes e harmônicos entre si”, dando ênfase na palavra “independentes”, repetida duas vezes por eles.

— Não posso admitir que ninguém ouse desrespeitar ou tentar desbordar a nossa Constituição. Esse é o meu papel, esse é o papel não só dos demais Poderes, bem como de qualquer cidadão desse Brasil: harmonia, independência e respeito entre si.

Depois, disse que respeita as decisões do Judiciário, mas afirmou respeitar mais a Constituição:

— Respeito o Poder Judiciário, respeito as suas decisões, mas nós, com toda a certeza, antes de tudo, respeitamos a Constituição.

Bolsonaro classificou Ramagem como “homem honrado”, ressaltando que ele coordenou sua equipe de segurança entre a eleição de Bolsonaro e sua posse na Presidência.

— O senhor Ramagem, que tomaria posse hoje, foi impedido por uma decisão monocrática de um ministro do Supremo Tribunal Federal. É uma pessoa que eu conheci no primeiro dia após o fim do 2º turno, que foi escolhido pela Polícia Federal do governo anterior como homem de elite, um homem honrado, um homem com vasto conhecimento, um homem à altura de representar e de ser o chefe da segurança do chefe da Presidência da República.

O presidente disse que “brevemente” irá concretizar o “sonho” de ver Ramagem na direção da PF:

— E eu gostaria de honrá-lo no dia de hoje dando-lhe posse como diretor-geral da Polícia Federal. Eu tenho certeza que esse sonho meu, mais dele, brevemente se concretizará, para o bem da nossa Polícia Federal e do nosso Brasil.

‘Quem nomeia sou eu’

Bolsonaro afirmou ter certeza de que Mendonça irá desempenhar “mutíssimo bem” seu papel no novo ministério. Disse que ele poderá formar sua equipe, mas ressaltou que cabe ao presidente indicar o diretor-geral da PF. O ex-ministro Sergio Moro pediu demissão justamente acusando Bolsonaro de interferir na corporação.

— Tenho certeza, assim como os demais, formará a sua equipe de acordo com o seu entendimento e levando-se em conta os méritos de cada um de seus integrantes. Uma das posições importante, que quem nomeia sou eu, é o do diretor-geral da Polícia Federal. A nossa Polícia Federal não persegue ninguém, a não ser bandidos.

O presidente se disse honrado com a presença de Toffoli e elogiou principalmente Gilmar, dizendo que ele “não se furtou de seu voto em prol do Brasil”:

— Prezado Dias Toffoli, também me sinto muito honrado com a sua presença. Senhor Gilmar Mendes, integrante do nosso Supremo Tribunal Federal, é uma satisfação tê-lo aqui. Um homem que por vezes que o Executivo precisou não se furtou de dar seu voto em prol do Brasil. Muito obrigado ao senhor.

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