Senador sugere programa federal para a preservação do pantanal

Região registra grandes incêndios e foi visitada pelo ministro do Meio Ambiente

A criação de um programa federal que estimule atividades econômicas sustentáveis no pantanal, levando em consideração as características do bioma e o conhecimento acumulado pelos povos tradicionais e proprietários de áreas na região. Esta é a proposta apresentada, nesta terça-feira (19.08) pelo senador Wellington Fagundes (PL-MT) ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que esteve sobrevoando a região que registra uma das maiores queimadas dos últimos tempos. Ambos retornaram juntos a Brasília, ocasião em que o senador apresentou algumas alternativas que podem contribuir para evitar novos problemas ambientais no pantanal, como as queimadas, e promover o desenvolvimento sustentável do bioma.

“Esse programa pode contar com apoio internacional, já que o pantanal se estende a países como a Bolívia, Paraguai e Argentina”, diz o senador. Ele lembra do Bid-Pantanal, programa criado em 2001 e que financiou várias pesquisas na região com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento, do governo japonês, governo federal e dos governos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Wellington Fagundes lembra que as práticas adotadas pelo homem pantaneiro e produtores da região têm mantido 84% da área do pantanal preservados. A convivência harmoniosa com o ciclo das águas, a fauna e a flora e a adoção da pecuária, por exemplo, tem contribuído para a manutenção da vegetação nativa. Ele conta que o pisoteio pelo gado da vegetação nativa cria a chamada “macega”, que não propaga o fogo. Com a redução da atividade pecuária em consequência da baixa rentabilidade, a vegetação voltou a crescer, contribuindo para a proliferação dos focos de queimada, como vem acontecendo neste momento.

Os cálculos indicam que cerca de 250 mil hectares já foram consumidos pelo fogo somente nos municípios de Poconé e Barão de Melgaço, em Mato Grosso.

“Todas as ações envolvendo o pantanal não podem prescindir de ouvir os povos tradicionais e proprietários de áreas. Eles conhecem a dinâmica desse bioma e podem contribuir, assim como pesquisadores e cientistas, para definir programas de uso sustentável desse que é um patrimônio da Humanidade”, defende.

Ele ressaltou a importância da visita do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, a Mato Grosso, e do presidente Jair Bolsonaro a Mato Grosso do Sul para avaliar a situação das queimadas.

Ele lembrou que visitou o Everglades Nacional Park, na Flórida (EUA), uma área de pântanos que abriga vários ecossistemas e está protegido apesar de abrigar várias atividades econômicas, principalmente o turismo. “Nada impede que os recursos naturais sejam explorados, desde que dentro de critérios de preservação”, disse.

Segundo o senador, o ministro e ele devem se reunir em outras oportunidades para discutir a elaboração desse programa sugerido.

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