Wellington propõe missão à China por tecnologia para produzir vacinas anticovid

Ida ao país asiático abriria também possibilidade de negociar a compra de uma vacina da estatal chinesa Sinopharm

Duas empresas chinesas manifestaram interesse em investir em pesquisa e transferência de tecnologia para os laboratórios de saúde animal no Brasil produzirem vacinas contra a Covid-19. Diante disso, a Comissão Temporária do Senado deverá realizar uma missão à China, com o apoio do Ministério das Relações Exteriores. A proposta é do senador Wellington Fagundes (PL-MT), relator da CT, e Kátia Abreu (PP-TO), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado. 

De acordo com a Embaixada do Brasil em Pequim, a presidente executiva da Fosun Trade, Coco Yang, confirmou interesse nas tratativas, iniciadas ainda no mês de abril. O braço farmacêutico do grupo, considerado um dos maiores conglomerados privados da China,  fez parceria com a empresa de biotecnologia alemã Biopharmaceutical New Technologies (BioNTech) para produzir e distribuir a vacina de mRNA BNT162b2.

Uma das interessadas na produção de vacinas usando os laboratórios de saúde animal do Brasil é uma empresa voltada ao desenvolvimento de vacinas de mRNA, baseada em Zhuhai, província de Guandong. Essa mesma empresa desenvolveria imunizantes utilizando o método de vetor viral não replicante.

A outra, segundo a Embaixada do Brasil em Pequim, é uma empresa coordenada pelo famoso epidemiologista chinês Zhong Nanshan, que gerenciou o combate ao surto de SARS e atua como consultor do governo chinês para combate à corrente pandemia.

“Os laboratórios ligados à saúde animal têm totais condições de absorver as duas tecnologias e produzir a vacina que o Brasil precisa para imunizar a população e também ajuda aos demais países da América Latina” – frisou o senador do PL de Mato Grosso. 

Além de entendimentos para transferência de tecnologia, a ida a Pequim abrirá possibilidade de negociar a compra de uma vacina contra o novo coronavírus produzida pela farmacêutica estatal chinesa Sinopharm. Segundo a senadora Kátia Abreu, embora já conte com autorização para venda concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o imunizante não tem sido privilegiado em compras realizadas pelo governo brasileiro

A busca de tecnologia é parte do esforço da diplomacia parlamentar em ajudar a viabilizar os entendimentos para que o Brasil possa produzir vacinas e dar segurança ao calendário de imunização, constantemente frustrado por falta de insumos. Atualmente, apenas o Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) fazem o envasamento de vacinas a partir do IFA importado da China e Índia. O Butantan está com sua produção paralisada.

Na reunião da CT, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Otávio Moreira da Cruz, disse na audiência pública que a estratégia do Governo brasileiro neste momento é antecipar para o primeiro semestre vacinas já contratadas no mercado internacional. Segundo ele, o país pactuou a compra de mais de 600 milhões de doses com diversas farmacêuticas.

Diligência confirmada

Fagundes confirmou que na próxima sexta-feira, dia 21, o Senado fará diligência aos dois laboratórios do agro: o primeiro da empresa Ouro Fino, na cidade de Cravinhos (SP), e o outro em Juatuba (MG), da Ceva Brasil. Participam os senadores Kátia Abreu, Nelsinho Trad (PSD-MS), Izalci Lucas (PSDB-DF) e Styvenson Valentim (PODE-RN). 

Foram convidados a ministra de Governo, Flávia Arruda; o ministro Marcelo Queiroga, de Saúde; e representantes da Anvisa, Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), Organização Mundial de Saúde (OMS) e Academia Brasileira de Medicina Veterinária. 

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